Negócios Digitais

O empreendedorismo no Brasil lidera o mundo, mas por que nossas empresas morrem tão cedo?

por Gabriella Perico IllianoPublicado em 16/10/20266 minutos de leitura
Uma equipe diversificada analisa documentos e planeja estratégias juntas em um ambiente dinâmico, representando a colaboração e a inovação do empreendedorismo no Brasil.
O Brasil lidera em empreendedorismo, mas também em mortalidade de empresas. Veja o que dizem o GEM e o SEBRAE.

O Brasil vive uma contradição que os números do empreendedorismo no Brasil deixam evidente todo ano.  

Somos, ao mesmo tempo, um dos povos mais empreendedores do planeta e um dos que mais vê seus negócios fecharem as portas ainda nos primeiros anos.

A mesma pesquisa que nos coloca entre os líderes mundiais em criação de empresas também mostra a outra face da moeda: um índice alarmante de mortalidade empresarial logo depois da abertura. 

Quem acompanha os dados do GEM Global Entrepreneurship Monitor, em parceria com a SEBRAE empreendedorismo, sabe que esse não é um fenômeno pontual. É estrutural.  

Como afirma Joaquim Cunha: 

“É verdade que o Brasil apresenta um dos mais altos índices de empreendedorismo do mundo. Essa informação é do Global Entrepreneurship Monitor, que mantém uma parceria com o Sebrae. Temos índices de empreendedorismo superiores aos de muitos países equivalentes ao Brasil no cenário global. Por outro lado, também apresentamos um dos maiores índices de mortalidade de empreendimentos.” 

A pergunta que interessa sobre o empreendedorismo no Brasil não é se o brasileiro tem vontade de empreender, isso já está respondido. A pergunta é: o que separa o empreendedor que atravessa os primeiros anos e cresce daquele que se torna estatística de fechamento? A resposta, resumida em uma palavra, é estratégia.

Sem estratégia, o empreendedorismo no Brasil é aventura 

Durante muito tempo, o empreendedorismo no Brasil era diretamente influenciado à pensamentos pessoais, como identificar uma oportunidade, reunir uma reserva financeira, abrir a empresa e “ver no que dá”. Esse modelo, mesmo informal, funcionou por décadas em mercados menos competitivos e menos digitais. Não funciona mais. 

O ambiente digital elevou o nível de exigência para qualquer negócio. Concorrência online, ciclos de consumo mais rápidos, custo de aquisição de cliente mais alto e uma carga tributária que pune especialmente quem começa pequeno e sem planejamento fiscal — tudo isso torna a falta de estratégia um risco concreto, não uma imprudência abstrata. 

Joaquim Cunha é direto sobre essa mudança de cenário:  

“Atualmente, não há mais espaço para aventuras sem estratégia. Aquela ideia de ‘vou ver no que dá’ ou ‘vou abrir alguma coisa’ já não funciona adequadamente. Hoje, é necessário ter um modelo de negócio bem estruturado e uma estratégia bem definida. Quando falamos em estratégia, consideramos sempre o cliente e o controle das finanças” 

Essas duas frentes, olhar para o cliente e controlar as finanças, parecem simples, mas concentram a maior parte dos motivos de mortalidade empresas Brasil.  

Negócios fecham porque venderam para o cliente errado, ou porque nunca souberam com precisão para quem estavam vendendo. E fecham porque o caixa quebrou antes que a operação tivesse tempo de maturar, mesmo com vendas acontecendo.

Os dois pontos de partida do empreendedor digital
1. Olhar para o cliente: entender profundamente quem compra, por que compra e o que faria essa pessoa comprar de novo — antes de investir em produto, marketing ou expansão. 
2. Controlar as finanças: saber exatamente quanto entra, quanto sai, qual é a margem real de cada venda e quanto tempo o caixa sustenta a operação sem receita nova.

Fatores de risco específicos do empreendedor brasileiro 

  • Carga tributária elevada e complexa, que penaliza negócios sem planejamento fiscal desde o início. 
  • Acesso a crédito mais caro e mais restrito do que em outros mercados comparáveis. 
  • Alta informalidade na etapa inicial, que dificulta métricas confiáveis para decisão. 
  • Abertura de negócio sem validação prévia de mercado ou de modelo de receita. 
  • Dependência de um único canal de vendas ou de um único cliente relevante.

O que o empreendedor precisa hoje que não precisava há 10 anos

Se estratégia é o que separa quem cresce de quem fecha, vale perguntar: que tipo de competência sustenta essa estratégia? A resposta surpreende quem espera uma lista de ferramentas ou linguagens técnicas. 

Segundo Joaquim Cunha, a competência técnica deixou de ser o principal diferencial:  

“Na minha percepção, por incrível que pareça, as competências técnicas não são as mais importantes. Atualmente, com a inteligência artificial e o acesso à informação que temos, é muito fácil suprir uma lacuna técnica. No entanto, há habilidades que eram necessárias há dez ou até quinhentos anos e que continuam indispensáveis: a capacidade de comunicação e a de resolver problemas, sejam eles quais forem.” 

Isso muda a forma como um empreendedor deveria se preparar.  

Ferramentas de inteligência artificial e o acesso quase ilimitado à informação reduziram drasticamente o custo de aprender técnicas específicas. Isso inclui planilhas, plataformas de anúncios e sistemas de gestão.

A tecnologia, porém, não substitui a capacidade de conversar com um sócio, negociar com um fornecedor ou ouvir um cliente insatisfeito. Também não transforma essas interações em ajustes de rota automaticamente.

É nessa capacidade que está o segredo de empreender com estratégia de forma consistente: resolver problemas reais, um após o outro, sem perder o controle da operação.

Essa competência também diferencia o empreendedor que tenta abraçar tudo sozinho daquele que constrói um verdadeiro time ao seu redor. Afinal, o equilíbrio entre habilidades técnicas e humanas também define o perfil do profissional de Negócios Digitais.

Piracicaba e o ecossistema que faltava para o empreendedor digital 

Estratégia e capacidade de comunicação ganham força multiplicada quando o empreendedor está inserido em um ecossistema real, universidades, investidores, empresas consolidadas, polos de inovação.  

É esse o ponto de partida de Joaquim Cunha ao falar sobre Piracicaba, cidade com forte tradição em agronegócio e crescente presença de tecnologia e empreendedorismo digital. 

Segundo ele, o problema nunca foi a falta de ingredientes, mas a falta de organização entre eles: 

“O que faltava? Faltava um curso que conseguisse reunir e organizar todas essas iniciativas que, como parte de um ecossistema, ainda estão dispersas. Com essa formação, conseguimos trabalhar todas essas possibilidades, organizar esse cenário e preparar um profissional capaz de transitar bem por esse mundo em constante transformação.” 

Essa é a proposta do curso de Negócios Digitais da Faculdade Pecege: não apenas ensinar conceitos de gestão e estratégia isoladamente, mas conectar o aluno a um ecossistema real de mentores, negócios em funcionamento e oportunidades concretas.

O empreendedorismo no Brasil é o maior do mundo? 

Os dados do GEM, em parceria com a SEBRAE, confirmam: o Brasil está entre os países com maior proporção de população adulta envolvida em atividades empreendedoras no mundo, superando diversos países de economia comparável.  

Ao mesmo tempo, o país figura entre os que mais perdem empresas nos primeiros anos de operação. 

A conclusão prática desses dois dados lidos juntos é direta: vontade para o empreendedorismo no Brasil já tem de sobra; o que falta, na maioria dos casos, é método para transformar essa energia em negócio que sobrevive além do segundo ano.

Empreenda com estratégia — não com esperança 

O curso de Negócios Digitais da Faculdade Pecege forma empreendedores com base sólida em gestão, dados e estratégia digital para quem quer crescer no empreendedorismo no Brasil. É um curso de empreendedorismo digital com mentores que já construíram negócios reais. 

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