Como desenvolver senso crítico e ter pensamentos transformadores?

Pense rápido: algumas vez na vida você teve pensamentos transformadores? Para facilitar, tente lembrar de tudo que já fez a sua cabeça “explodir”. Melhor! Tente resgatar aquelas descobertas que arrancaram de você algo parecido com um “poxa, como eu nunca pensei nisso antes?!”. Conseguiu?

Não se preocupe se a sua memória está um pouco lenta e te impedindo de recordar esse grande momento da existência. De agora em diante, você pode começar a colecionar esse tipo de pensamento – só basta um pouco de conhecimento para que ele aconteça e do conselho da pessoa certa.

Nós indicamos ouvir os conselhos de Vania Ferrari, que possui uma extensa carreira multidisciplinar e conhecimento suficiente sobre como destravar funcionalidades do cérebro que geralmente não usamos.

Ela explicou para o blog um pouco mais sobre como trabalhar o senso crítico para alcançar pensamentos transformadores. Confira!

Âncoras do cérebro

A desculpa pode ser rotina e cansaço, mas tem muitos outros culpados barrando os pensamentos transformadores. Inclusive, nosso desenvolvimento durante toda a vida tem vários aspectos que travam a mente.

Na escola, em casa, na rua, com os amigos ou na família, para Vania, somos doutrinados o tempo inteiro. “A gente sai repetindo e fazendo o que os outros nos disseram, muitas vezes sem questionar se aquele jeito de viver e fazer as coisas serve para cada um de nós”, comenta. 

Contornar esse estado depende de um esforço bastante individual e, segundo ela, isso significa ousar, subverter, questionar, duvidar e pensar com nossa própria cabeça, para tomar as decisões mais sábias. Resumo da história: pensar de forma crítica.

Por onde começar?

Desenvolver o senso crítico é possível para qualquer pessoa e é a partir dele que acontecem os pensamentos transformadores. Para isso, Vania usa a fórmula QI (Quociente Intelectual) + QE (Quociente Emocional) + QA (Quociente de Adaptabilidade) x QN (Quociente de Noção).

“A neurociência já provou que o QI não é fixo e pode ser desenvolvido com a leitura, já que a inteligência precisa da linguagem para se apresentar”. Ela lembra ainda que o QE já não é mais segredo desde 1995, quando Daniel Goleman apresentou seus estudos sobre a ampliação do repertório emocional para o mundo. 

“Até então, eu achava que somente estes dois quocientes me trariam felicidade e sucesso. Mas a maioria de nós sai da faculdade mal preparado do ponto de vista emocional, e isso gerava pesquisas de clima cada vez mais pessimistas nas organizações”, explica Vania.

No entanto, com a chegada do QA, ela comenta que passamos a entender que criatividade, curiosidade e resiliência precisavam ser somados à equação para que profissionais pudessem ir além. “É preciso ampliar nossa atuação na empresa, porque o termo ‘departamento’ é cafona e vai acabar logo”, explica. 

Por fim, um elemento ainda é necessário. Vania pontua a falta de noção do profissional na hora de se expor em uma reunião, ao dar e receber um feedback e até mesmo na hora de escrever e compartilhar memes nas redes sociais. Esse é o QN (ou a falta dele), termo criado pela sócia e esposa de Vania, Anna Nogueira.

“Muitos profissionais perdem grandes oportunidades na carreira por pura falta de noção. Então é importante saber a equação dos quocientes e como eles podem ser aprendidos e desenvolvido”, ressalta.

Hora da ação

A nossa existência é interdependente, portanto, o que acontece do outro lado do mundo também gera impactos onde estamos. Vania traça o mesmo paralelo para empresas. Um fato no RH pode interferir na rotina do setor de logística, por exemplo.

“As áreas das empresas dependem uma das outras para funcionar, assim como a humanidade depende de bons acordos políticos, de preocupação com o clima, de exterminação das fake news, pois tudo o que fazemos toca no outro, mais cedo ou mais tarde”, observa.

Mas, apesar de toda essa conexão, as consciências são individuais. Portanto, é importante estimular no trabalho a ampliação das consciências como ferramentas para as empresas crescerem. “Com colaboradores mais sensíveis, inteligentes, bacanas e estudiosos, metas são batidas com mais facilidade e, sem eles, é mais fácil bater cabeça.” 

Controle não garante resultados

Existe uma ilusão sobre os pensamentos transformadores, na qual as pessoas acreditam que estão praticando a mudança quando, na verdade, só estão reciclando ideias ruins.

“O diretor de RH gosta de gritar ‘somos muito tecnológicos aqui!’ ao substituir o velho crachá por um QR code. Mas o crachá de plástico era mais eficiente para abrir catracas do que o QR code, que sempre ‘dá pau’. Nosso diretor não fez transformação alguma, ele só modernizou uma ideia ruim e piorou os resultados”, exemplifica Vania.

Ela enfatiza que transformação é quebrar tabus, dizer não para o que não faz sentido e “matar” a burocracia no ninho. Para Vania, muita gente está dizendo que está vivendo o “novo normal”, quando, na verdade, só está “lembrando o futuro”.

“Home office é outro exemplo. Com a pandemia, as empresas estão dizendo ‘olha como somos modernos trabalhando de casa’. Eu digo: ‘vocês estão atrasados 20 anos!’”, ressalta.  

Os pensamentos transformadores são aqueles que revisam jornadas de trabalho, processos de recrutamento e seleção e a necessidade injustificada de controlar cada passo do colaborador. Por fim, Vania lembra que empoderar de verdade, gerar amor pela empresa e dar desafios inteligentes para o time é o verdadeiro gerador de resultados – além da revisão dos quocientes.

O que falta para você alcançar seus pensamentos transformadores?