Quando investir na previdência privada?

Escolher o momento certo para investir na previdência privada é uma das principais dúvidas que ficaram na cabeça dos brasileiros em 2019. Isso porque o ano foi marcado por muitas mudanças e a aposentadoria pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) foi uma das transformações que mais deu o que falar, especialmente após a aprovação da Reforma da Previdência.

Com este cenário, as pessoas passaram a considerar ainda mais a opção da previdência privada.

Para relembrar: a aposentadoria pelo INSS é um dos benefícios garantidos pelo governo para os trabalhadores contribuintes. Esse direito só pode ser resgatado em situações bem específicas e possui um teto máximo – não importa o quanto você contribuiu durante a vida, o valor mensal a receber não pode ultrapassar um limite (que passa por reajustes periódicos).

Por outro lado, investir na previdência privada continua sendo uma opção a longo prazo e talvez mais flexível, já que você pode escolher o investimento mais adequado aos seus objetivos, o valor da contribuição e a liquidez, por exemplo. É possível receber contribuição investida ao longo dos anos somada com os rendimentos mensalmente ou tudo de uma vez.

Se você está considerando investir na previdência privada, Renato Henrique Massano, financial adviser e sócio da GR Consultório Financeiro, preparou algumas dicas que podem te ajudar.

Planejamento

Massano explica que o primeiro passo é montar um planejamento financeiro com objetivos de curto, médio e longo prazos. “Quando falamos em investir na previdência privada, o foco é nossa terceira idade. E a expectativa de vida dos brasileiros vem crescendo a cada década. Estaremos preparados financeiramente para vivermos por mais 20, 30 ou 40 anos após nossa aposentadoria, mantendo o padrão de vida?”, questiona.

Assim, a previdência privada ganha espaço e funciona, muitas vezes, como complemento à aposentadoria pública para proporcionar essa manutenção do padrão de vida. Dessa forma, as pessoas não ficam dependentes das reformas à previdência social que ocorrerem ao longo dos anos.

Por isso, a dica é começar o quanto antes, já que o sistema financeiro trabalha com juros compostos (juros sobre juros). “O tempo é um grande aliado nesse processo. Quanto antes começarmos, menor será o investimento e maior será o recurso acumulado”, explica Massano, que cita, por exemplo, pais que começam a investir na previdência privada dos filhos desde o nascimento e mantêm disciplina nas aplicações para situações como auxílio para faculdade, intercâmbios e demais investimentos.

Atenção

Ao mesmo tempo que investir na previdência privada é uma ótima ferramenta para nossa aposentadoria, alguns cuidados relacionados às taxas são necessários na hora de contratar.

“Algumas companhias ainda insistem em trabalhar com taxas de carregamento – fuja delas. Já a taxa de administração do fundo deve ser condizente com o tipo de fundo e sua performance. Um fundo de renda fixa necessariamente deverá ter um percentual bem baixo, por exemplo”, comenta Massano.

Sobre a performance, é importante ter cuidado com os retornos. “Alguns investimentos performam abaixo da poupança e podem acabar sendo insuficientes.”

VGBL X PGBL

Praticamente todos os planos abertos comercializados hoje em dia possuem o formato VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres) ou PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livres). E não existe melhor ou pior, somente o mais adequado para cada pessoa. Contudo, a escolha errada pode trazer prejuízos ao investidor, já que as modalidades dizem respeito ao quanto você vai pagar.

“A VGBL é indicada para pessoas isentas do IR (imposto de renda) ou que fazem a declaração simplificada. Como não há abatimento das contribuições, o imposto a ser pago no resgate será calculado apenas sobre o rendimento das aplicações e não sobre os aportes/depósitos”, detalha.

Já a PGBL é indicada para quem faz a declaração completa do IR e possuem imposto retido na fonte. Essa modalidade permite que você deduza o valor das contribuições da sua base de cálculo do IR, com limite de 12% da sua renda bruta anual. Assim é possível reduzir o valor do imposto a pagar ou aumentar a restituição de IR.

Mais algumas informações

  • Imposto de renda: Investir em previdência privada permite escolher a forma de tributação na hora de resgatar o valor. A Tabela Progressiva Compensável retém 15% na fonte de todo resgate efetuado e ajusta na declaração anual e conforme a renda tributável anual, podendo chegar em 27,5%. A alíquota final é definida no ajuste anual – pagando ou restituindo imposto. Já a Tabela Regressiva Definitiva possui alíquotas que diminuem em função do tempo, começando em 35% e atingindo 10% após 10 anos. Geralmente é mais indicada para pessoas que possuem renda tributável alta e priorizam o longo prazo. Só é possível migrar da progressiva para a regressiva, uma vez que esta é definitiva.
  • Rentabilidade: O mercado tem disponível vários tipos de fundos de investimento, categorizados como conservadores, moderados ou agressivos. Quem não lida bem com a flutuação do mercado ou tem o objetivo de só preservar patrimônio opta pelos conservadores (geralmente renda fixa). Os moderados e agressivos possuem percentual de renda variável que potencializa o retorno ao longo do tempo.
  • Taxa de administração: É paga ao gestor do fundo escolhido anualmente e descontada da rentabilidade. Para os fundos conservadores, o ideal são taxas baixas, de até 1% ao ano. Os moderados e agressivos, pela complexidade das operações, podem chegar até 2,5% ao ano.
  • Taxa de carregamento: Para custear operações administrativas e comerciais do agente distribuidor do plano. Pode ser de entrada, quando descontada no aporte, ou de saída, retido no resgate ou portabilidade. Já existem planos que não cobram essa taxa.

“De acordo com o valor investido, é possível criar uma carteira de fundos previdenciários, assim como nos investimentos tradicionais”, conclui Massano.

E você, já começou a investir na previdência privada?

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