Você já se sentiu um impostor?

“Imagine que você foi promovido no seu trabalho. Em vez de comemorar a tão almejada promoção, a única coisa que você consegue pensar é que você é um impostor e ela só ocorreu por pura sorte. Chega até a questionar se suas habilidades atuais condizem com o novo cargo, sem reconhecer o seu merecimento.”

Denise de Moura, professora e especialista em comportamento organizacional e liderança, exemplifica uma situação em que a Síndrome do Impostor pode atuar. Esse assunto voltou aos holofotes após o ano marcante de 2020. Você já se sentiu assim?

“Esse padrão de comportamento profissional, de pensar que, a cada conquista, logo uma estupidez ou fraqueza será descoberta, constitui um modelo mental em que os sentimentos de alegria são abafados pela sensação de falsidade ou fraude”, completa.

E tem mais. Esse sentimento pode aparecer em diferentes cenários, além do profissional. “Mesmo atingindo metas altas, você se sente fracassado, se questiona se está fazendo a coisa certa ou se autossabota constantemente? Você se cobra demais e exige perfeição em todos os aspectos da sua vida? E, como estamos em constante evolução e erros e acertos fazem parte desse crescimento, você vive frustrado e muito estressado? Então é hora de acender a luz amarela”, alerta.

De onde vem esse sentimento?

Se sentir uma fraude e não merecedor das conquistas que alcança é a característica principal da Síndrome do Impostor. “Ela gera frustração, estresse, falta de autoconfiança e pode, ainda, catalisar uma depressão”, diz a professora.

O desenvolvimento desse sentimento pode ocorrer a partir de alguns fatores, como:

  • Traços de personalidade
  • Históricos familiares
  • Necessidade de ser amado e respeitado ao extremo

Historicamente, os primeiros estudos sobre o tema atribuíram essa síndrome às mulheres, na década de 1970. Os artigos focavam em questões familiares, alta cobrança por resultados e no machismo como possíveis causadores da Síndrome do Impostor

Contudo, a professora ressalta que, hoje, ela atinge todos os tipos de pessoas, gêneros e profissões.

Como lidar com tudo isso?

A professora Carol Shinoda, também especialista em propósito de vida e gestão de projetos, enfatiza que a Síndrome do Impostor nos traz uma falta de capacidade de interiorizar nossas conquistas e de reconhecer que temos um papel ativo e somos responsáveis por nossas realizações

Com o entorno cheio de obstáculos e dificuldades, Carol aponta para a necessidade de olharmos para nós e reconhecermos nossas habilidades de transformar, de correr atrás do que queremos e de superar.

“Não é simples e o processo de reconhecimento de nossas capacidades é longo. Eu mesma tive um processo longo de reflexão e terapia para perceber, por meio de fatos e dados, que teve indicação, ajuda e apoio de outras pessoas para chegar aonde estou, mas também teve a minha parte, a minha entrega, que me manteve aonde cheguei”, exemplifica a professora.

Saia da bolha

Ao contrário do que se pode pensar, receber ajuda e orientação não faz de nós uma fraude. Uma rede de apoio é essencial para nossa vivência e sobrevivência em sociedade.

Depois de reconhecer esse sentimento de impostor e tentar analisar como essas crenças infundadas de incompetência prejudicam nossa vida pessoal e profissional, a dica da professora Denise é contar com um amigo ou mentor para vigiar os momentos de autossabotagem.

“Receber feedbacks corretivos e positivos traz reflexões sobre comportamentos e crenças limitantes, que podem desencadear a análise e o desenvolvimento da autoconfiança e de um modelo mental que tem orgulho das pequenas conquistas e faz disso um hábito”, explica Denise.

Já para Carol, nossas conquistas contam com o apoio das pessoas à nossa volta, que nos ajudam, nos impulsionam e nos dão oportunidades. Mas, no fim do dia, quem realiza e se mantém somos nós.

“Precisamos dos outros, ninguém vive sozinho, mas também precisamos nos empoderar das nossas capacidades e da nossa história, reconhecer que construímos muitas forças ao longo da nossa trajetória e, com isso, quando tivermos novos desafios, já temos alguns recursos para colocar e superar novas barreiras.”

Dicas

Denise ensina: “A cada alcance, comemore e veja que seu esforço e dedicação contribuíram com esse sucesso. Não foi por pura sorte. Trabalhe a confiança em si próprio e tenha orgulho da pessoa que você é. Tudo isso ajuda a mitigar as crenças limitantes que favorecem a Síndrome do Impostor.”

Pensando nisso, se as metas altas podem provocar sentimentos de incompetência, que tal começar com metas mais simples?

Outra dica é escutar com atenção os elogios que recebe. “Veja quais se repetem e quando. Assim, procure aprimorar, com constância, esses pontos fortes. Isso também ajuda no desenvolvimento da autoconfiança”, diz Denise.

Construa pontes

Uma vez que todo mundo está suscetível a se sentir um impostor, precisamos nos fortalecer internamente. “Para isso, vale lembrar sempre dos nossos momentos de dificuldades e de quem nos ajudou a superar”, aconselha Carol.

A professora ainda cita recursos internos e externos, como família, amigos, rede de apoio e de contatos. Mas faz uma provocação: “Esses fatores são internos ou externos? São externos porque estão fora do nosso corpo, mas só existem porque há uma relação entre mim e eles, entre nós.”

Mesmo sendo algo muito íntimo, a Síndrome do Impostor sempre vem associada a um contexto. “Vivemos em um mundo cheio de limitações, obstáculos e potencialidades. É nessa navegação de contexto que construímos nossa realidade, mas quem dirige esse barco somos nós”, conclui Carol.

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