Análise e Desenvolvimento de Sistemas

A bolha da inteligência artificial: o que os dados dizem sobre o ciclo de investimento em tecnologia

por Daniela BinPublicado em 23/09/20268 minutos de leitura
Equipe de engenharia observando um gráfico de análise de dados em uma fazenda de servidores, representando os dados por trás do debate sobre a bolha da inteligência artificial.
Existe bolha da inteligência artificial? Sim, financeira; não, tecnológica. Veja o que a bolha dot-com ensina.

Existe mesmo uma bolha da inteligência artificial? A pergunta aparece em reunião de conselho, em roda de conversa no trabalho e na cabeça de quem pensa em trocar de área. Quase ninguém responde com precisão, porque a resposta honesta tem duas partes que só parecem se contradizer: sim, existe uma bolha financeira; não, não existe uma bolha tecnológica. Saber onde uma termina e a outra começa muda todo o cálculo sobre quando faz sentido entrar na área. 

Vale separar o que está sob observação. Valuation de startup, preço de ação de fabricante de chip, rodada de investimento com múltiplo alto: isso é dinheiro apostando em expectativa futura. A tecnologia é outra coisa. São modelos que escrevem código, classificam documentos, resumem reuniões e já operam dentro de produtos que milhões de pessoas usam sem perceber. A primeira camada pode esfriar de uma hora para outra. A segunda não desaparece quando a bolsa corrige. 

É esse o pano de fundo do que o professor Bruno Kadri descreve sobre o momento atual: “Se fala muito sobre essa bolha econômica financeira da inteligência artificial que está ocorrendo. (…) O que as empresas do setor têm feito é investir, principalmente, em formas de aumentar a produtividade dos desenvolvedores de software.” 

O ponto que interessa na fala é a direção do dinheiro. Boa parte do investimento não vai para promessa vaga, e sim para uma aplicação com retorno medível: fazer quem desenvolve software produzir mais.

A bolha da inteligência artificial e a bolha dot-com: o precedente que ilumina o presente

Quem acompanhou o fim dos anos 1990 reconhece o roteiro, e é dessa história que vem a maior lição da bolha dot-com. Entre 1995 e 2000, o capital correu para qualquer empresa com dot-com no nome. O índice Nasdaq multiplicou de valor e bateu o topo em março de 2000. Depois veio a queda: até o fundo, em 2002, o Nasdaq perdeu cerca de 78% do valor. Empresas que prometiam reinventar o varejo, como a Pets.com e a Webvan, abriram capital, queimaram o caixa e fecharam em poucos meses. 

A internet, porém, não fechou junto. Aqui vale desfazer uma leitura repetida sobre o período: a Amazon foi fundada em 1994 e o Google em 1998, ou seja, as duas já existiam quando a bolha estourou e sobreviveram ao colapso que derrubou os concorrentes. 

O Facebook veio depois, em 2004, erguido sobre a infraestrutura e o barateamento que sobraram. O padrão se repete a cada tecnologia de base: a especulação limpa o terreno e as empresas com produto real permanecem. O capital especulativo evaporou; a internet virou a espinha dorsal da economia digital duas décadas depois.

A rápida adoção da IA reforça a comparação

A velocidade com que a IA se espalhou lembra aquele começo, e Bruno Kadri chama atenção para isso: “De fato, a inteligência artificial teve um crescimento muito rápido. Acho que foi uma das principais tecnologias em relação à rapidez de adoção. Você vê pessoas que não têm muita sensibilidade técnica, que não têm muito conhecimento também utilizando no seu dia a dia. Porque é uma tecnologia, além de revolucionária, é uma tecnologia fácil de adotar, é uma tecnologia que qualquer pessoa consegue utilizar.” 

A adoção rápida e a baixa barreira de entrada animam o investidor e, ao mesmo tempo, garantem que o uso não recue junto com o preço das ações. A comparação entre a bolha da inteligência artificial e a da internet não serve para acalmar ninguém sobre dinheiro. Serve para lembrar que o preço de um ativo e a utilidade de uma tecnologia seguem calendários diferentes.

O que a bolha financeira da IA significa 

Uma correção financeira atinge quem apostou em expectativa: o investidor especulativo, a rodada inflada, a ação cara demais. É a camada financeira da bolha da inteligência artificial, e é nessa camada que mora o risco do investimento em IA. 

Uma queda de valuation não altera a conta que uma empresa faz quando precisa automatizar um processo, encurtar um prazo de entrega ou colocar um modelo dentro de um produto que já vende. A procura por quem constrói essas soluções responde à necessidade de operação, não ao humor de mercado. 

Investimento em produtividade vai além da especulação

Bruno Kadri aponta para onde o investimento com retorno concreto está indo: “O que as empresas de inteligência artificial estão fazendo é investir, principalmente, em formas de aumentar a produtividade dos desenvolvedores de software, porque é aí que começa a surgir um ciclo virtuoso. Ao fazer com que meu modelo de linguagem seja um bom programador, ele pode acabar, de certa forma, programando e aprimorando a si próprio.” 

Repare no que ele chama de ciclo virtuoso. Não é dinheiro à espera de valorização; é dinheiro que volta em forma de produtividade e se sustenta enquanto continuar economizando tempo. Esse gasto não some quando o ciclo financeiro da IA vira, porque ele se paga no uso. 

Daí vem uma distinção que costuma passar despercebida. Discutir se há uma bolha da inteligência artificial no mercado é discutir preço de ativo, e essa conversa é legítima. A pergunta que decide uma carreira é outra: as empresas vão continuar precisando de gente capaz de resolver problemas com software? A resposta não depende do gráfico da bolsa. Os ciclos anteriores ajudam a enxergar o desenho:

CicloPeríodoO que a especulação financeira fezO que permaneceu depois
Dot-com1995–2001Investimento em massa em empresas com dot-com no nome; Nasdaq despenca cerca de 78% Amazon e Google sobrevivem; a internet vira base da economia digital
Mobile e apps2007–2014Euforia de aplicativos, muitos sem receita ou modelo de negócioO smartphone se firma como plataforma e os apps entram no cotidiano
Inteligência artificial2022–hojeValuations elevados e rodadas de investimento aquecidasIA incorporada ao desenvolvimento de software e ao uso diário de empresas e pessoas

Por que a formação técnica atravessa o ciclo 

Há uma tentação previsível para quem começa agora, e é justamente por ela que a crise na tecnologia passa a cobrar preço na carreira. Bruno Kadri descreve o atalho: “se sente uma vontade, e é fácil, você percebe, poxa, eu vou pegar aquele exercício, ao invés de fazer, porque é difícil, eu vou lá, eu utilizo inteligência artificial e está pronto. Só que não é bem assim.” 

Quem pula a base e entrega o raciocínio ao modelo aprende a operar a ferramenta sem entender o que ela devolve. Funciona enquanto o problema é pequeno. Trava no primeiro sistema que precisa crescer, integrar com outro ou ser depurado sob pressão. 

A recomendação dele vai na direção contrária ao atalho: “ter a base muito bem consolidada, não deixar de aprender essa base e acelerar esse uso de inteligência artificial nesse começo de carreira.” Primeiro a base bem firme, depois a IA como acelerador em cima dela. Essa ordem separa quem comanda a ferramenta de quem fica refém dela sem enxergar o que acontece por baixo. 

É por isso que a formação técnica atravessa o ciclo da bolha da inteligência artificial. Quem entende algoritmos, arquitetura de software, banco de dados e o comportamento de um sistema em produção resolve problemas que existem independentemente da tecnologia da moda. 

Na Faculdade Pecege, a graduação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas segue essa lógica: os fundamentos abrem o curso, no primeiro módulo, com algoritmos, lógica de programação, arquitetura e modelagem de dados, e a inteligência artificial aparece aplicada no módulo final, apoiada em tudo o que veio antes. A coordenação é do Prof. Dr. Lucas Guerreiro, doutor em Ciência da Computação e Matemática Computacional, e as aulas ficam a cargo de quem atua no mercado dentro do Parque Tecnológico de Piracicaba.

Existe uma bolha da inteligência artificial? 

Sim, no sentido financeiro. Há sinais de especulação em valuations e rodadas de investimento, como houve com a internet nos anos 1990. E não, no sentido tecnológico: a IA já está dentro do desenvolvimento de software e do cotidiano de empresas e pessoas, e esse uso não recua quando o mercado corrige. 

Se a bolha financeira esvaziar, a tecnologia continua, como a internet continuou depois de 2001. Quem construiu base técnica atravessa a correção trabalhando; quem apostou só no entusiasmo do momento fica exposto quando ele passa.

Formação que não expira no próximo ciclo 

A IA é real. A transformação digital das empresas é real. A bolha da inteligência artificial pode esfriar no aspecto financeiro, mas a procura por desenvolvedores com base técnica firme vai existir em qualquer cenário financeiro. A graduação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Faculdade Pecege forma para o longo prazo, com fundamentos que seguem valendo depois que o hype passa.  

Acesse faculdade.pecege.com e conheça a grade completa.