Liderança em projetos: comportamento, perfil DISC e gestão de pessoas

Você pode ter o melhor cronograma, o orçamento mais bem calculado e a metodologia mais moderna. Ainda assim, se não souber conduzir as pessoas que vão executar, o projeto falha do mesmo jeito: falta liderança em projetos.
A Profa. Ana Paula Zocca utiliza a imagem de um quebra-cabeça para explicar o conceito de projeto:
“Um projeto é um conjunto de atividades realizadas para alcançar determinado objetivo. Podemos compará-lo a um grande quebra-cabeça, no qual cada peça representa uma atividade. Para chegar ao resultado pretendido, é preciso encaixar essas peças de forma organizada.”
A imagem funciona, com um complemento. No projeto real, as peças não são só atividades. São pessoas. E gente não se encaixa como papelão recortado: cada um tem um jeito de trabalhar, motivações próprias e forças distintas. Por isso, ler essas diferenças é o primeiro trabalho de quem exerce liderança em projetos.
É por isso que o gestor de alta performance se destaca menos pelo domínio do PMBOK e mais pela habilidade de tirar o melhor de cada perfil e manter o time alinhado mesmo sob pressão — entre as habilidades de gestor de projetos, essa é a que menos se ensina em curso técnico. A parte técnica abre a porta. A liderança em projetos é o que sustenta a entrega.
Admitidos pelas competências, demitidos pelas atitudes
Existe uma frase que circula em RH e resume bem o que separa quem fica de quem sai. A Profa. Ana Paula Zocca a repete com um exemplo simples:
“Costuma-se dizer que as pessoas são contratadas pelo conhecimento técnico e demitidas pelas atitudes. Conhecimentos e habilidades podem ser desenvolvidos por meio de treinamento, mas mudar comportamentos é muito mais difícil. Se alguém não sabe utilizar uma ferramenta específica, como o Excel, pode ser treinado e passar a elaborar planilhas melhores. Já a falta de comprometimento com o trabalho é muito mais difícil de corrigir por meio de treinamento.”
A assimetria é o ponto. Ensinar alguém a montar uma planilha leva alguns dias. Formar comprometimento, escuta e capacidade de trabalhar junto leva anos, quando muda. Por isso as empresas gastam tanto tempo avaliando o comportamento profissional em projetos na seleção: a lacuna técnica se fecha rápido, a comportamental nem sempre.
Num projeto, esse peso aumenta ainda mais. A gestão de pessoas em projetos ocupa o dia inteiro do gestor: negocia prazo, apara conflito, alinha expectativa, mantém a moral quando o cronograma aperta. As chamadas soft skills na gestão de projetos deixam de ser detalhe e passam a definir se o time entrega ou trava.
Um exemplo comum ilustra isso. Dois profissionais entram com currículo técnico parecido. Em três meses, um vira referência porque assume o problema, avisa cedo quando algo atrasa e ajuda o colega ao lado. O outro entrega no limite, some quando o clima aperta e transfere a culpa. A distância entre os dois nunca esteve no diploma. Está na maturidade que boa liderança em projetos ajuda a desenvolver.
Perfil DISC, o que é: os quatro perfis comportamentais
Para sair do achismo e ler perfis com algum método, a professora Ana Paula Zocca recorre a uma ferramenta conhecida, o DISC. Ela descreve como funciona:
“Por meio do DISC, é possível identificar quatro perfis comportamentais: dominância, influência, estabilidade e conformidade. Pessoas com perfil de dominância tendem a ser práticas, tomar decisões rápidas e enfrentar desafios. Já aquelas com maior conformidade valorizam a precisão, o aprofundamento e os detalhes, além de demonstrarem uma tendência ao perfeccionismo. O perfil de influência, por sua vez, destaca-se pelos relacionamentos e pela interação social, podendo ser especialmente bem aproveitado para conectar pessoas, facilitar a colaboração, inspirar, motivar e liderar equipes.”
O DISC organiza o comportamento em quatro perfis. Nenhum é melhor que o outro; cada um rende mais numa posição diferente do projeto:
| Perfil | Pontos fortes mais associados | Possíveis contribuições no projeto |
| Dominância | Direto, decidido, orientado a resultados e receptivo a desafios | Agilizar decisões, enfrentar obstáculos, destravar impasses e conduzir frentes que exigem rapidez |
| Influência | Comunicativo, entusiasmado, persuasivo e agregador | Conectar pessoas, estimular a colaboração, apresentar ideias e engajar a equipe e as partes interessadas |
| Estabilidade | Paciente, constante, colaborativo e confiável | Dar continuidade às atividades, apoiar a equipe, preservar a coesão e contribuir para rotinas consistentes |
| Conformidade | Analítico, criterioso, detalhista e atento à precisão | Apoiar o planejamento, analisar riscos, acompanhar padrões e contribuir para o controle da qualidade |
Como aplicar o DISC na liderança em projetos
O uso prático vem daí. Colocar um perfil de conformidade para cuidar do plano e da qualidade, por exemplo, costuma render mais do que empurrá-lo para a linha de frente de uma negociação tensa.
Um perfil de influência engaja o time, mas talvez precise de apoio no controle fino de detalhes. Nesse sentido, o trabalho do líder é encaixar cada pessoa onde a força dela aparece.
Há, porém, um detalhe que o gestor costuma esquecer, e que é central para a liderança em projetos: o primeiro perfil a mapear é o dele mesmo. Um líder de perfil dominância tende a atropelar quem precisa de tempo para analisar. Um líder de influência pode adiar as conversas difíceis. Conhecer a própria tendência evita que o time inteiro seja conduzido por um só jeito de trabalhar.
Liderança em projetos: adaptar o estilo, o maestro que conhece cada instrumento

Vale pensar no gestor como um maestro. Cada músico domina o próprio instrumento melhor do que ele. Ainda assim, alguém precisa garantir que o conjunto toque junto, no mesmo tempo, na mesma direção. O maestro não substitui o violinista; ele faz a orquestra soar como uma coisa só.
Regência boa muda conforme o músico. Isso é o que se chama de liderança situacional. Quem está começando precisa de direção clara, acompanhamento de perto e retorno frequente. Quem já domina o trabalho precisa do contrário: espaço para decidir. A professora Ana Paula Zocca é direta sobre esse segundo caso:
“O líder precisa conhecer o grau de domínio do trabalho e o perfil comportamental de cada pessoa, adaptando seu estilo de liderança para extrair o melhor de cada profissional e fazer com que ele se sinta bem na função que desempenha. Quando alguém apresenta alta maturidade, conhece bem o trabalho e está motivado, cabe ao líder delegar, oferecer autonomia e permitir que essa pessoa desempenhe seu papel.”
Tratar todo mundo igual, nesse cenário, é o erro que passa por justiça. Afinal, microgerenciar um sênior mata a motivação; largar um iniciante sem apoio gera erro e retrabalho. Ajustar o estilo à maturidade e ao perfil de cada um é o que se espera de quem exerce liderança em projetos de fato.
Liderança situacional em projetos: da teoria à prática
Na prática, isso aparece em decisões pequenas do dia a dia. A quem você entrega a tarefa nova sem manual? De quem você pede o relatório passo a passo? Quem você põe para conversar com o cliente difícil?
A resposta muda conforme a pessoa, e é essa leitura, repetida todos os dias, que constrói um time capaz de segurar pressão.
Nada disso é dom de nascença. Ler perfil comportamental, aplicar uma ferramenta como o DISC e praticar liderança situacional são competências de liderança em projetos que se desenvolvem com formação. A graduação em Gestão de Projetos da Faculdade Pecege trabalha as ferramentas técnicas junto com esse preparo comportamental, porque o mercado cobra os dois na mesma pessoa.
Liderança em projetos se forma: técnica e comportamento juntos
Os melhores gestores de projetos combinam domínio de metodologia com liderança em projetos, a capacidade de liderar pessoas. Na Faculdade Pecege, a formação em Gestão de Projetos integra ferramentas técnicas e desenvolvimento comportamental, porque um sem o outro não sustenta uma carreira de liderança.
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