Gestão de Projetos

Origem do Kanban: da fábrica da Toyota ao seu time

por Daniela BinPublicado em 07/09/20266 minutos de leitura
Executivos reunidos discutindo o conceito e o planejamento de um projeto, representando a organização do fluxo de trabalho que da origem ao Kanban.
Descubra a origem do Kanban no Sistema Toyota de Produção e como usar o quadro de três colunas hoje com seu time.

Se alguém perguntar Kanban, o que é, e de onde veio, a resposta quase automática é: da tecnologia. Trello, squads ágeis, quadro de startup. A origem real é outra, e é bem mais interessante. 

O Kanban Toyota nasceu numa fábrica de automóveis japonesa, décadas antes de existir a primeira ferramenta digital. É um bom lembrete de que método bom atravessa setores e épocas. O Prof. Décio de Camargo faz questão de desfazer o mito: 

“Essas novas ferramentas não são exclusivas da tecnologia da informação. Na verdade, algumas delas surgiram muito antes, em contextos tradicionais da manufatura, como o Sistema Toyota de Produção.” 

A origem do Kanban: a fábrica da Toyota e o nascimento do sistema 

A história começa no Sistema Toyota de Produção, entre o fim dos anos 1940 e os anos 1950 — é aí que está a origem do Kanban. Naquele contexto, o engenheiro Taiichi Ohno precisava resolver um problema concreto: como controlar o fluxo de peças na linha de montagem sem empilhar estoque parado, que é dinheiro imobilizado. 

A solução foi um sistema de cartões. Em japonês, kanban quer dizer placa ou cartão. Cada cartão sinalizava o que precisava ser produzido, o que estava em produção e o que já tinha sido concluído. A peça só era reposta quando o cartão pedia, no ritmo do consumo real da linha. 

Além disso, conta-se que Ohno se inspirou no funcionamento dos supermercados americanos, onde a prateleira só é reabastecida quando o cliente retira o produto. A fábrica passou a operar pela mesma lógica de puxar a produção pela demanda, em vez de empurrar peças que talvez ficassem encalhadas. 

O resultado ficou conhecido como produção just-in-time: fabricar o necessário, na quantidade necessária, no momento necessário. O cartão era o aviso de que faltava algo, sem planilha e sem reunião. 

A trajetória, em poucas linhas: 

  • Fim dos anos 1940: Taiichi Ohno começa a repensar a produção na Toyota. 
  • Anos 1950: os cartões kanban passam a controlar o fluxo de peças na linha de montagem. 
  • Décadas seguintes: o método sai do chão de fábrica e chega a escritórios, equipes de software e times de todo tipo. 

Como o Kanban chegou aos escritórios

O princípio visual continuou o mesmo. Décio traduz o formato que sobreviveu até hoje: 

“O Kanban funciona como uma espécie de semáforo. Imagine, por exemplo, um grande painel dividido em três colunas, que organizam as atividades de uma equipe. Na primeira, ficam as tarefas a fazer; na segunda, as que estão em andamento; e, na terceira, as que já foram concluídas. Trata-se, portanto, de uma sinalização visual simples, fácil de acompanhar e compreender.” 

A ponte para os escritórios veio bem depois. Nos anos 2000, equipes de software repararam que o mesmo princípio de puxar o trabalho conforme a capacidade valia para tarefas, e não só para peças de carro. 

Trocaram os cartões de papel por post-its e telas, mas guardaram a ideia central: só se abre uma tarefa nova quando há espaço para terminar bem a anterior.

Kanban como funciona na prática: do quadro físico ao digital 

Colegas de equipe trabalhando juntos com um quadro de tarefas no método Kanban/Scrum durante uma reunião de acompanhamento.
O formato muda, a lógica não. Crédito: banco gratuito de imagens.

Sobre o quadro Kanban, como usar é mais simples do que parece: ele pode viver numa parede, com post-its, ou numa tela, em ferramentas como Trello, Jira e Asana. O formato muda, a lógica não: as três colunas mostram, em tempo real, onde cada tarefa está. 

Nesse sentido, a força do Kanban está nessa visibilidade. Todo mundo enxerga o mesmo quadro ao mesmo tempo e o gargalo aparece sozinho. Por exemplo, uma coluna do meio cheia é sinal de que a equipe começou mais do que consegue terminar. 

O Prof. Décio lembra que essa ideia é mais familiar do que parece: 

“Muitas empresas utilizam quadros físicos ou digitais para que todos possam visualizar as atividades. Talvez você adote algo semelhante em casa, como anotações ou tarefas organizadas na porta da geladeira, sem perceber que essa também é uma forma simples de Kanban.” 

Fora da TI, o quadro se encaixa em quase tudo. Por exemplo, um time de marketing acompanha campanhas em produção. Da mesma forma, o RH controla vagas em aberto, em entrevista e fechadas. Uma equipe de eventos vê num relance o que falta montar. A área industrial, onde tudo começou, segue usando. 

Em todos esses casos, a pergunta que o quadro responde é a mesma: o que está parado esperando, o que está em andamento e o que já saiu da mesa.

Por que a simplicidade do Kanban é a sua maior força 

Há um padrão curioso na gestão: ferramentas complicadas são abandonadas em poucos meses, enquanto ideias simples atravessam décadas. O Kanban é o segundo caso. A origem do Kanban explica boa parte disso: nasceu para resolver um problema real, não para impressionar num slide. Passou dos 70 anos porque qualquer pessoa entende o quadro na primeira olhada e monta um em minutos. 

Além disso, essa simplicidade não é pouca coisa. Um método que a equipe inteira compreende sem treinamento longo tem chance real de pegar e de durar. Ao mesmo tempo, ele conversa bem com as outras ferramentas de gestão, cada uma resolvendo um pedaço do trabalho. 

A simplicidade também facilita a adesão. Ninguém resiste a um quadro que entende de imediato e o que se entende de imediato costuma ser usado de verdade. 

Por outro lado, o contraste ajuda a enxergar. Sistemas de gestão cheios de campos obrigatórios e relatórios acabam abandonados quando o time percebe que alimentar a ferramenta dá mais trabalho do que a própria tarefa. 

Um quadro de três colunas não cria essa barreira: o custo de manter é quase zero e o ganho de ver o trabalho aparece já no primeiro dia. 

Décio resume o alcance: 

“Essas ferramentas de gestão podem ser aplicadas em hospitais, escolas, estabelecimentos comerciais, indústrias, organizações sem fins lucrativos e ONGs, não se restringindo a empresas de alta tecnologia ou ligadas à área de TI. Elas também podem ser utilizadas na vida pessoal.” 

Assim, entender a origem do Kanban a fundo, e saber quando combiná-lo com Scrum, OKR e os referenciais do PMBOK, faz parte da formação completa em gestão de projetos. É esse repertório que a graduação em Gestão de Projetos da Faculdade Pecege coloca na mão do profissional.

A origem do Kanban: das fábricas ao seu time, um método que você já pode usar hoje 

O Kanban sobreviveu 70 anos porque funciona como Kanban para equipes de qualquer tamanho, e dominá-lo é só o começo. Na graduação em Gestão de Projetos da Faculdade Pecege, você aprende a combinar Kanban, Scrum, OKR e PMBOK para gerenciar qualquer tipo de projeto, do simples ao complexo. 

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